domingo, 30 de abril de 2017

POEMA EM MAIO



Com seus tambores de fogo e cinza
o mel da manhã menino
de luz e sombra ‒

rosto lesto rosto
de alísio ágil cio.

O mês em que nasci.

A bruma e o sol.

O sul nascente.


O mar.

domingo, 16 de abril de 2017

CAMALEÃO


Quando voltei definitivamente a Portugal, 
já depois do 25 de Abril, decorridos que tinham sido onze anos, entre Londres e Paris 
(e muito do resto da Europa),
publiquei quatro Poemas/Postais de Intervenção.
Estávamos em 1978. 
Este era um deles. 
Hoje é actual. 



domingo, 9 de abril de 2017

Os Rumores do Vento

Um dia tenho que começar a organizar-me
eu que nunca organizei coisa nenhuma

porque nada me carece ser organizado
e nenhuma coisa me pediu para ser organizada

a não ser a teia de entender o que nada sabemos
para o modo e o método de simplesmente ignorar.

Mas o tempo urge por debaixo dos pés onde há
um silêncio virtual preso aos rumores do vento.


Tenho primeiro de organizar os rumores do vento.

em "As noites e os Dias", o meu mais recente livro, ed litoral

terça-feira, 4 de abril de 2017

O VERME


Hoje percebo o cortejo dos homens
no altar do tempo
        sem preço
        sem promessa
        sem vitória.

Hoje percebo o ajeitar da fêmea
e o sôfrego momento viril
da eternidade transmitida.

Hoje percebo o sal, o estrume
o reclame dourado do sol.

E até o verme repugnante
que nas mãos invento aos poucos
e nos sinais descubro o mesmo ciclo
de eternidade viva
        hoje
que eu vivo

percebo e canto